sábado, 26 de maio de 2012

Lá menor.

É do amor que espero o tom que me agarre pelas pernas e sopre vento em meus cabelos. Tenho dançado no silencio, na minha intima sequencia. Entre passeios e pernas, não me importa dançar só, só quero dar ao meu corpo o prazer de uma cançao não minha, que me tire os ensaios e os antigos gestos, me reduza os espaços,aumentando me a alma... Do amor só quero o cheiro que a vida não me da, esse odor sintético de tudo que rodeia, nessas prateleiras sujas atrapalhando minha dança. Eu quero estar em alguns lugares, Eu não quero que o amor me leve. Eu quero que sua canção ao fundo, cresça e me deixe canta-la, assim, ver passar de mim, como um fluxo divino, todas as notas esquecidas... Do amor só espero o tom, que me confunda e me deite, que eu acorde na rua falando com anjos, que atravesse a pressa com meus passos lentos. Pro amor tenho pés descalços, folhas em branco, saliva. O amor não me é um pedaço, que sobra ou que falta, ou o enrosco dos dias... Nada me é mais amor do que um acorde menor, que chora e ergue os olhos esperando o próxima nota mudar-lhe a expressão. Tenho dançado no silencio, ainda assim dançado. E o silencio não me é espera, o silencio é meu amor que não se mostra.