
Era tempo de fazer o que havia me proposto, estava cheia de dogmas, de filmes prontos na minha mente, de roteiros de felicidade, aqueles baseados nos outros, de quem eu só conhecia a carcaça. Era hora, eu sentia, por todos os poros do corpo, sair uma vontade imensa de me encontrar no meio desse imaginário pronto, me perguntava sempre sobre minhas privações, as coisas que não fazia por não me remeterem uma sensação de êxito no fim, das coisas das quais fugia sem perceber, sempre. Da maneira como agia repetidamente em situações parecidas, ou como transformava situações distintas em iguais. Já era hora de colocar minha vida diante dos meus olhos e entender o porquê desses meus passos automatizados, dessa fala repetida, o porquê dessa sensação de girar em círculos, se era inevitável estar inerte a atitudes pragmáticas, então dessa vez, eu iria conhecê-las uma a uma, eu quero entender o porquê de não deixar aquilo que sinto dentro de mim, às vezes, me guiar pela sua vontade, aquilo que ouço quando estou sozinha, quando falo comigo, quando me deixo levar, sem premetidar situações, sem temer intenções, aquilo que pulsa na minha mente, quando me livro do peso que mundo me da.
