
Venho repetindo as mesmas coisas de sempre, seguir o mesmo roteiro é como andar em círculos, só me sinto pronta e segura diante daquilo que já passei, então conduzo tudo que surge pra esse lugar seguro onde me encontro. É como quando você conta uma história já sabendo o final e narra os fatos como se eles fossem peças que se encaixam exatamente para um fim exato, desconsidera o acaso, a falta de propósito que as coisas tem, me sinto pontuando as frases sempre da mesma maneira, da maneira como sei recitá-las.
Quando ela chegou trouxe um pedaço de tudo o que eu já tinha entrado em contato antes, tinha algo a mais, uma facilidade de me representar, de ser eu num corpo fora do meu, eu via seus sorrisos, eram tão meus que eu nem sei como isso podia, mas era assim acontecia comigo. Eu fechei meus pulsos, recolhi as ancoras, fiz jus a minha insegurança, ela chegou cantando alto, como eu costumo fazer quando estou sozinha, ela era tão ela, e tinha tanto amor nos olhos, que , por deus, eu tentei não ver.
Não quero continuar reproduzindo essas mentiras q conto a mim mesmo, eu queria era pará-la em meio as luzes da cidade, pegar seus medos em minhas mãos, dançar na sua pele, perder-me do tempo, deixar que ela se perdesse em mim.
Eu vou chegar e dizer “Eu gosto das cores que você tem, do embalo dos seus ombros sob qualquer canção.” eu vou chegar e dizer que não quero ser invasiva, mas eu estou abrindo todas as portas por algum sinal seu. Eu não queria afasta-la, parecer ingênua, tremula. Eu posso escrever sobre todas as coisas com um sentimento preciso que nunca senti, mas eu não posso escrever assim sobre ela, parece invenção, mas eu sei, não são coisas da minha cabeça.
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