sábado, 31 de março de 2012

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Devagar caiu no mundo
pra vagar na superficie
de vagar vagou o mundo
isolou sua presença

na cadencia das fugas
desabitou espelhos
emudeceu os mais sábios conselhos
dos seus deuses sem poder

encorajou seus vícios
desmentiu verdades
cambaleou os muros, arrebentou as grades
sentiu um vazio...
a farsa da liberdade.

De vagar sem pé nem freio
nessa corja de sedentos
sentou-se a beira da morte
e lhe contou alguns segredos
e daquele encontro sutil
voltou se cheia em mãos
e no vermelho da vaidade
daquela boca sem encaixe
marcou o ultimo filtro
subiu com o ultimo trago

quinta-feira, 29 de março de 2012

Se arrasta pelos dentes essa falta de calor
Cante um samba la na esquina e eu repito: eu vou !
A paz das pernas bambas é o caos que causa o samba...
a vontade de sambar.

Se agarra entre os dedos a palavra dita
a melodia não me grita, não me chama pra dançar
Eu quis o bloco que passou
que na neblina não me viu
A fantasia se apagou
rasgou-se a chama do pavio...

Me diga só se falta amor,
por que agora só faz frio
me diga só se sou só eu
ou todo mundo ta hostil
me diga só que ja é tarde,
para o meu corpo se deitar
A avenida ta vazia
e eu sou a nudez do dia
que não para de sambar

Solidão não tem atrito
arranco a faísca no grito
pra esse corpo se esquentar.

sábado, 24 de março de 2012

...


Os acordes atacam a pele do corpo disposto no espaço,
agressivamente me encontra uma coisa,
um compasso nocivo que me leva ao chão
quente e sutil, e meu pés reagem.

A boca seca e acolhe um trago
os poros derretem mais um compasso
as minimas partes vibram e se distraem
numa dança profana e incalculada.

Ao fim sou parte do chão
ao fim da terra me faço tom.
ao fim e sozinho ele dança, sem minha minima intenção
ao mundo ele era um corpo que morria
minha sinfonia de qualquer canção.

quarta-feira, 14 de março de 2012

Inteira não!
mas concreta
metade é quase tudo
faltando o que sobra em mim.
Inteira não,
mas toda ali,
toda o quanto podia estar
tanto o quanto podia ser.
naquele papel , que não me espelha, nem me encoraja
naquele traço que não me rejeita e nem me pinta
inteira não, mas totalmente despida..
A poesia é uma menina
a me agarrar pelas pernas
Ela me torce e me expulsa
E me vejo sempre a ir com ela
Ela se deita e me recebe
e seu vapor sobe meus poros
ninguem nunca será como ela
ela me revela e me esconde, ela sabe..
ela sabe que eu não suporto,
ela me aceita.
A poesia é uma menina
que foge com meus doces só pra me ver chorar.