"(...)Consideras-te a ti mesma um espírito livre, selvagem, e aterroriza-te pensar que alguém possa meter-te numa gaiola. Bem, querida, já estás numa gaiola e foste tu mesma que a construiste. E encontra-la onde quer que vás, porque não importa para onde fujas, acabas sempre por fugir em direcção a ti mesma."
Boneca de Luxo
sexta-feira, 15 de abril de 2011
quarta-feira, 13 de abril de 2011

Depois de pular sobre seus discos antigos,ver o velho blues jogado no tapete da sala, pensei em sussurar que havia trazido café, ou apenas mentir sobre minha presença.
Estava rodeada das suas camisas sem botões e todas aquelas paredes imundas, queria não gostar,mas aqueles sinos ridículos na porta ficavam me anunciando e vc sorria da minha falta de jeito,de léxico, de coordenação, de tudo que me era tomado no seu habitat.
Deixei minhas coisas do lado daquela televisão, a qual nunca vi utilidade, as vezes apoiava um ou outro copo, creio que nem tomada tinha, creio que nada ali precisasse de energia, a menos voce, de toda a minha.
Nem foi preciso ensaiar a fala, seus olhos cobriram meu corpo de respostas, enquanto eu havia matado todo meu tempo pensando quais seriam as perguntas.
As vezes eu penso qual o pior de nós, eu chegando assim a essa hora da manhã, ou voce no meu lençol com essas meias sujas e essas garrafas a fio, querendo tombar, iriam querer sumir dali,aposto, se pudesse ver seu estado.
Foi um rápido lance na minha mente, entre nós entrando na porta,cintilantes e irradiados, bêbados, famintos, um do outro, ambos de sí. É, eu me achava tanto em voce, procurava por mim em todas suas partes, achava.
Foi um rápido momento de lembrança, meu disco do Noel que vc achava ridículo, meus chaveiros barulhentos, sua voz de manhã,nós de manhã, sem amanhã.
Passados os flashs ri da sua cara, e daquela barba, seila a quanto tempo nem ao menos via o espelho, ri daquelas pernas agora tão sozinhas sem as minhas, ri de mim, agora tão sozinha sem elas.
Essas teorias de independência enchem os olhos tanto quanto assustam, não sei quem era melhor nisso,nem sei como durou tanto essa nossa suficiência.
Olhei pra ele mais uma vez, e para acabar com essa mania que começara fui em direção a porta. É,dei derrepente pra escrever coisas tolas, cheias de açúcar, cheias de falta, cheias e cheias.
Vou ver um noticiário, reler meus textos de política, trocar o café pelo chá, jogar fora os troféis de sinuca,nós eramos bons,verdade.
Vou fechar essa porta e cantarolar pelas escadas.
Ridículas pernas que se movem querendo ficar.
Essa vida de ciclos, e eu ja estava cheia de vicios pra te aturar como um ciclo vicioso.O bom era não termos bem algum em comum, nada q nos unisse assim materialmente, só aquele encaixe instântaneo,aquele encaixe assimétrico.
vou te deixar uns cigarros - eu disse-
me ligue se não precisar.
Se precisar, me encontre.
Até logo - ele disse.
Até eu precisar de ar- resmunguei.

Olha só. A liberdade me deu asas, mas levou meu telhado.
Eu tinha um chão, uma varanda e ainda assim quis tentar.
Depois disso me dispus a soar mais grave, a equilibrar minhas doses, fazer menos pra ser mais. Olha só. Eu não grito mais pq aprendi que o mundo é surdo, e dói, dói a garganta, arde o peito, desce veloz a dor da indiferença.
Mas, se voce canta! Ah se voce canta! o mundo abraça espinhos pensando ser flor.
Eu vou usar meu dom de ser mulher, meio tendendo ao desconcerto,
eu vou cantar um samba toda noite. Se voce quiser ficar,
puxa um cadeira, mas dure a noite toda pra depois eu me enconstar,
ou então vá que aprendi a ser inteira, mesmo sem telhado ou chão ,
não sei ser de uma só frequencia, meu lar é qualquer canção.
domingo, 10 de abril de 2011

Ninguem quer ouvir seus meios de se fazer único,seus medos ou suas incertezas.
É de amor que eles querem falar.De fés inabaláveis e histórias cinderelescas,aquilo que os levem de sí para algo promissor,para um futuro em que se veem envoltos em um sentimento,envoltos e livres.
Quanta incoerência.
Deve ser por isso que se escreve melhor o que não se sente,
o ato anula qualquer explicação.Mas, quando se tem os olhos cheios e o coração vazio, voce se deixa as mãos da mente, que sempre sabe se guiar sozinha, mesmo que o caminho seja apenas miragem.
É de amor, ou paixão, ou esse terno conflito que querem pra sí.
E eu, que nunca soube sentir a dois, fui ficando encostada naquilo que criei, na minha idéia de suficiencia.
Ópio doce.
Ah meu deus!Onde é que voce se enfiou dentro de mim que eu não te acho?
Por que é que derrepente teu desenho abstrato virou fumaça?
Onde é que voce se esconde que eu to as tontas vagando e vendo a fé destruindo caminhos.
Onde é que eu guardei o sonho que eu usava de travesseiro?
o meu ópio doce que me humanizava.
Ah meu Deus! Porque que eu não creio mais nessas frases de efeito?
Me faz entender essa sua ineficiência.
Será que cegaram seus olhos de luz?
Ta todo mundo dizendo que voce me é necessário,
que esse desconcerto todo é parte do seu plano.
Me faz um favor,
Avisa essa massa que não tem cavalaria,
que voce é minha mente tentando não dialogar sozinha.
Estou criando um de voce em mim.
menos arcaico, pálido e intocável.
quando estiver pronto vou guardar para apenas os meus males,
Mas eu prometo, Oh deus, que esse vai existir, nem que seja só em mim.
Por que é que derrepente teu desenho abstrato virou fumaça?
Onde é que voce se esconde que eu to as tontas vagando e vendo a fé destruindo caminhos.
Onde é que eu guardei o sonho que eu usava de travesseiro?
o meu ópio doce que me humanizava.
Ah meu Deus! Porque que eu não creio mais nessas frases de efeito?
Me faz entender essa sua ineficiência.
Será que cegaram seus olhos de luz?
Ta todo mundo dizendo que voce me é necessário,
que esse desconcerto todo é parte do seu plano.
Me faz um favor,
Avisa essa massa que não tem cavalaria,
que voce é minha mente tentando não dialogar sozinha.
Estou criando um de voce em mim.
menos arcaico, pálido e intocável.
quando estiver pronto vou guardar para apenas os meus males,
Mas eu prometo, Oh deus, que esse vai existir, nem que seja só em mim.
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