quarta-feira, 13 de abril de 2011




Olha só. A liberdade me deu asas, mas levou meu telhado.
Eu tinha um chão, uma varanda e ainda assim quis tentar.
Depois disso me dispus a soar mais grave, a equilibrar minhas doses, fazer menos pra ser mais. Olha só. Eu não grito mais pq aprendi que o mundo é surdo, e dói, dói a garganta, arde o peito, desce veloz a dor da indiferença.
Mas, se voce canta! Ah se voce canta! o mundo abraça espinhos pensando ser flor.
Eu vou usar meu dom de ser mulher, meio tendendo ao desconcerto,
eu vou cantar um samba toda noite. Se voce quiser ficar,
puxa um cadeira, mas dure a noite toda pra depois eu me enconstar,
ou então vá que aprendi a ser inteira, mesmo sem telhado ou chão ,
não sei ser de uma só frequencia, meu lar é qualquer canção.

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