quarta-feira, 13 de abril de 2011


Depois de pular sobre seus discos antigos,ver o velho blues jogado no tapete da sala, pensei em sussurar que havia trazido café, ou apenas mentir sobre minha presença.
Estava rodeada das suas camisas sem botões e todas aquelas paredes imundas, queria não gostar,mas aqueles sinos ridículos na porta ficavam me anunciando e vc sorria da minha falta de jeito,de léxico, de coordenação, de tudo que me era tomado no seu habitat.
Deixei minhas coisas do lado daquela televisão, a qual nunca vi utilidade, as vezes apoiava um ou outro copo, creio que nem tomada tinha, creio que nada ali precisasse de energia, a menos voce, de toda a minha.
Nem foi preciso ensaiar a fala, seus olhos cobriram meu corpo de respostas, enquanto eu havia matado todo meu tempo pensando quais seriam as perguntas.
As vezes eu penso qual o pior de nós, eu chegando assim a essa hora da manhã, ou voce no meu lençol com essas meias sujas e essas garrafas a fio, querendo tombar, iriam querer sumir dali,aposto, se pudesse ver seu estado.
Foi um rápido lance na minha mente, entre nós entrando na porta,cintilantes e irradiados, bêbados, famintos, um do outro, ambos de sí. É, eu me achava tanto em voce, procurava por mim em todas suas partes, achava.
Foi um rápido momento de lembrança, meu disco do Noel que vc achava ridículo, meus chaveiros barulhentos, sua voz de manhã,nós de manhã, sem amanhã.
Passados os flashs ri da sua cara, e daquela barba, seila a quanto tempo nem ao menos via o espelho, ri daquelas pernas agora tão sozinhas sem as minhas, ri de mim, agora tão sozinha sem elas.
Essas teorias de independência enchem os olhos tanto quanto assustam, não sei quem era melhor nisso,nem sei como durou tanto essa nossa suficiência.
Olhei pra ele mais uma vez, e para acabar com essa mania que começara fui em direção a porta. É,dei derrepente pra escrever coisas tolas, cheias de açúcar, cheias de falta, cheias e cheias.
Vou ver um noticiário, reler meus textos de política, trocar o café pelo chá, jogar fora os troféis de sinuca,nós eramos bons,verdade.
Vou fechar essa porta e cantarolar pelas escadas.
Ridículas pernas que se movem querendo ficar.

Essa vida de ciclos, e eu ja estava cheia de vicios pra te aturar como um ciclo vicioso.O bom era não termos bem algum em comum, nada q nos unisse assim materialmente, só aquele encaixe instântaneo,aquele encaixe assimétrico.
vou te deixar uns cigarros - eu disse-
me ligue se não precisar.
Se precisar, me encontre.
Até logo - ele disse.
Até eu precisar de ar- resmunguei.

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