sábado, 25 de fevereiro de 2012

e ainda é.

Eu era como a mentira que não causa incomodo, por que a sua verdade não importa a ninguem.

balela

Não posso deixar de me encontrar com essas lacunas do dia, minhas criticas me rodeiam e terminam tomadas por mim, meus atos são erros de continuidade, tenho decidido e me feito questões que me travam por poucos e angustiantes segundos, logo me levanto e retorno a minha antiga face de dar e receber emoções. Ficar só é sintetizar e colar histórias, me pergunto e me repreendo de todas as contradições, que me trasbordam da fila do pão à nudez do fim do dia, minha mentira é tão minha que nem pode se fazer hipocrisia, não cantei ao vento minhas certezas pra não precisar fingir a linha, a coerência é meu ponto mais fraco e minha lacuna maior, Não me dou com os espaços e nem com as acusações, elas sempre viram auto acusações , sou tão todos que mal velos e mal ver a mim, e mal ver a mim é odia-los com força tamanha. Eu entendo aqueles que fogem, apesar de me julgar fraca a cada idéia de fuga, sou tão egoísta que não consigo me largar de qualquer questionamento, acabo na teia profunda das levantadas automáticas para afazeres cotidianos, desligo minha mente e vivo, caio no pulo de vida e morro, estou a morrer e viver pra poder saborear a vida, mas volto sempre a mesma, cheia de outras coisas, leio livros, lavo louças, quero entender e me afundo sendo, não me compreendo pois estou a me olhar de cima, acabo com todas as chances de respostas, as vezes axo que é o que me mantém viva.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Augusta.

Era assim, aquela coisa tornou-se meus dias da semana,
meu peito jamais sacudido, doía uma dor mundana, fraca e suja.
minha mão escorria pelo pandeiro,
eu era tom dos pés ao peito, minha cabeça se negava.
Eu,tão doce, agora levantava as primeiras pedras do meu demônio
do meu herói que me mataria, do meu vilão a me beijar.
Eu, tão suja, com as mãozinhas pedindo clemencia
imersa no sangue dos ventres da esquina.
botava meu bloco na rua, nua e sozinha
eu ria do leito que me esperava.
Era assim, meu quadril de mulata sucumbia a suspiros.
meu corpo era a fonte da praça, minha alma curvou-se a carne,
meu cálice de vaidade reinava,eu estava amando aquele demônio em mim.
minhas pernas gritavam num nó,um canto para se acordar só.
e o ritmo daquela coisa me tomava, e me domava, e domava o pior que havia em mim.
o gosto da vida escorria-me pela boca,
o pior que havia em mim era o mundo que amarrava meu demônio em roupas
e me fazia pouca, pra tamanha vontade.

eis em mim.

Um conjunto de deuses mudos me pegam pelo pé todas as noites,
eu os induzo e os recebo e eles se deitam comigo
meu corpo é um baú onde eles deixam seus sonhos,
eu durmo, e como eles me elejo, unica e só, dos poços profundos da minha malicia.
há noites que rodamos como crianças a saborear a paz,
há noites que minha dor os afasta cada vez mais...
eu me deito, eu me refaço...
eles sem corpo, sem fala, me matam de encantos,
nunca tão pura pude ver uma alma sem esses males do homem.
não é preciso um passo, um só corpo ou palavra
a pureza me toma e eu creio em mim,
um conjunto de deuses mudos, sem a carne que me toma
há noites que me escondo, de vergonha desse meu sangue quente.
há noite que me deixo cair nos braços desses deuses dentro de mim.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Aplausos.

Deus, quantos dentes tem essas bocas?
a lingua do doce, amargo e azedo se acaba em palavras
não querem meus beijos nem salivas trocadas
querem despejos de reações repetidas.
Aplausos, homem, aplausos!
Por que eu cansei de ser vomitada esta noite.
Manda-los todos calarem a boca em um lugar escuro não adianta,ninguem se ve e não ve ninguem..
ninguem quer saber da história do homem que andou em cima do sol
eles querem mostrar suas solas de sapatos,
gastas de suas esteiras automáticas
vendidas como chão de calçada,
como vida vivida,
como eles querem ser comprados, jogados aos lances mais caros.
eles falam e sou eu, e me incito a fazer o mesmo.
- aqui! - AQUI!,
Olhamos e seguimos sendo vistos,e tudo esta se acabando por isto,
O silencio é jogada do cara superior,
O da direita ri de suas proprias e repetidas histórias
A menina pendura o cigarro entre os dedos
e todos se aplaudem, por que aplaudem a si mesmos.