Um conjunto de deuses mudos me pegam pelo pé todas as noites,
eu os induzo e os recebo e eles se deitam comigo
meu corpo é um baú onde eles deixam seus sonhos,
eu durmo, e como eles me elejo, unica e só, dos poços profundos da minha malicia.
há noites que rodamos como crianças a saborear a paz,
há noites que minha dor os afasta cada vez mais...
eu me deito, eu me refaço...
eles sem corpo, sem fala, me matam de encantos,
nunca tão pura pude ver uma alma sem esses males do homem.
não é preciso um passo, um só corpo ou palavra
a pureza me toma e eu creio em mim,
um conjunto de deuses mudos, sem a carne que me toma
há noites que me escondo, de vergonha desse meu sangue quente.
há noite que me deixo cair nos braços desses deuses dentro de mim.
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