sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

O sol acordou a menina.


Crescia assim desvairadamente,
Não como menina que quer vir a ser mulher,
era uma deusa tentando sair, tentando abrir os olhos e dizer:
- Venha sol! voce não me cega, voce não me queima!
Era o som das batidas na porta,de dentro pra fora, dizendo:
-Abre! Abre que a alma grita, larga o laço de fita,
porque querem te vender.
Era absurdamente ávido, impossível de ser ignorado,
era eu saindo pelos poros, pelos medos,
pela boca,pela fresta da tua mala.
Era eu sendo uma louca por que crescera assim tão derrepente.
Eu era corroendo fechaduras porque me achava aprisionada,
por tudo, por nada.
Não como uma mulher que segura sua saia,
Era uma viajante, se entupindo de verdades, de filosofias inventadas,
era uma amante sem cumplice;
um acorde descompassado;
era a menina com desejo;
era o medo da mulher.


Foto: Cindy Sherman.

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