
"Minha força está na solidão. Não tenho medo nem de chuvas tempestivas nem de grandes ventanias soltas, pois eu também sou o escuro da noite."
Clarice!
Do que a mulher é feita que se destingue tanto? Clarice! Quantas clarices perdidas pelo mundo ainda mantém a força na solidão, ainda aprendem com a primavera a se deixar cortar para voltarem sempre inteiras, e não querem a terrível limitação de viver apenas o que é passivel de fazer sentido. Onde estão as Clarices que querem uma verdade inventada! que acreditam em anjos, e por isso, eles existem. Eu comecei a ver a força que as palavras tem, quando comecei a ler Clarice.Sentimentos revelados, faces e facetas de um só mulher, que em segundo são várias.
Eu acho que dentro de cada mulher existe uma Clarice,ou melhor, Milhares de Clarices, querendo sair! Não querendo apenas permissão para gritar, mas querendo não ter que ser permitida. Porque o desejo feminino sempre é velado, contido, e incrivelmente, por nós mesmas, porque dizer o que sente e pensa é sempre dar ao outro direito de julgar. Aprendemos desde cedo a não ser Clarice, a não deixar que os desejos aflorem, que as cicatrizes apareçam, que igualdades se evidenciem.
As vezes me pergunto se tudo que faço se refere a mim, ou ao que os outros irão dizer, ou se o que vou escrever vai agradar, ou se vão me dar o direito de dizer, e quer saber, é tudo um grande medo, é tudo insegurança, porque por mais idealista que voce seja nenhum ego aguenta ser afetado, eu gostumo pensar que é a parte mais fraca de nós, a vaidade, e é exatamente esse medo do ego ferido que as vezes me faz jogar foras as Clarices em mim pra ser a Julieta, a Camélia, a Poliana, Pra me vender numa imagem bonita , porque no fundo eu também quero ser comprada.
Deve ser porisso que a literatura feminina- como é chamada- é tão dificil de ser compreendida, porque a contradição existe, porque isso é real.É gritar : Olha só,eu quero liberdade, voce vê? Eu quero me desacorrentar, mas tenho medo de ir contra a natureza. Olhá só, eu tenho medo de sentir falta dela.
Não quero ter minhas asas podadas, não quero que me entupam com um cálice de moralidade, Não quero decorar uma manual lendário, nem que esperem de mim o que não existe, porque simplismente não nasceu comigo.Eu quero ser Clarice quando eu bem entender, sem dar satisfações, sem ouvir que fujo a regra, porque se existe exceção, sinto muito, não existe regra.
Eu quero me contradizer. O que fazemos aqui se não buscar a perfeição? Eu acho que as mulheres só querem a liberdade de saber quem são, e talvez até descubram que são realmente como os clássicos pintavam, comos os romanticos idealizavam, mas só querem descubrir por sí mesmas.
Porque como ela mesmo diria "O que importa afinal, viver ou saber que se está vivendo?"
Poder dizer "Escuta: eu te deixo ser, deixa-me ser então"
E se conhecer.
"...entre as aleluias e as agonias de ser..."
Nenhum comentário:
Postar um comentário