sábado, 26 de maio de 2012

Lá menor.

É do amor que espero o tom que me agarre pelas pernas e sopre vento em meus cabelos. Tenho dançado no silencio, na minha intima sequencia. Entre passeios e pernas, não me importa dançar só, só quero dar ao meu corpo o prazer de uma cançao não minha, que me tire os ensaios e os antigos gestos, me reduza os espaços,aumentando me a alma... Do amor só quero o cheiro que a vida não me da, esse odor sintético de tudo que rodeia, nessas prateleiras sujas atrapalhando minha dança. Eu quero estar em alguns lugares, Eu não quero que o amor me leve. Eu quero que sua canção ao fundo, cresça e me deixe canta-la, assim, ver passar de mim, como um fluxo divino, todas as notas esquecidas... Do amor só espero o tom, que me confunda e me deite, que eu acorde na rua falando com anjos, que atravesse a pressa com meus passos lentos. Pro amor tenho pés descalços, folhas em branco, saliva. O amor não me é um pedaço, que sobra ou que falta, ou o enrosco dos dias... Nada me é mais amor do que um acorde menor, que chora e ergue os olhos esperando o próxima nota mudar-lhe a expressão. Tenho dançado no silencio, ainda assim dançado. E o silencio não me é espera, o silencio é meu amor que não se mostra.

domingo, 15 de abril de 2012

sobre aquela história de ser o outro.


Alguns conceitos tedem a dividir em partículas, cada vez menores, fatos diferentes, mas de essencia e causa totalmente parecidas.Na ansia de especificar e homogenizar tudo, criamos novas classes, frações e denominações,
precisamos nos ver encaixados em algo...

Logo mais nos daremos conta que só nos encaixamos em nós mesmos
então ou aprendemos a entrar em contato
ou definitivamente será todos contra todos.

sábado, 14 de abril de 2012

la.

Aquela rua separava dois extremos,
e no auge da minha ânsia me parei quieta no meio de um equilíbrio imaginável.

- Só não fique como eu, eu não sei mais acreditar...
As chaves, as trancas, os segredos, essas coisas tem me atrasado.
Um atraso ridículo de quem não tem hora, de um alguém que ninguém espera chegar.

Vamos amassar essas coisas alinhadas no seu corpo
deixe-me encher sua mente de porcarias sem conteúdo
de perguntas irônicas, de piadas de auto acusação.

É assim, o caminho exige pés no solo
ele quer seu corpo quente,
Assim como eu.
ele exige sua queda, toda sua rendição...
vamos alcançar o desconcerto de uma orquestra de enlatados
vamos nos enfiar goela a baixo,
vamos ser digeridos,
ou vomitados.

Eu não quero esperar a hora de voltar
nem saber o que acontece do lado de la
estar me induz a devoção
a devoção do momento.
não quero sua mão,
quero ombros, pernas e dentes
A segundos da morte falemos de amor
agora não.
estou cansada.
veja os extremos da rua, é hora de esperar na contramão.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

queima.


‎"Ele esta se acabando
Se apagando entre os meus dedos,
Tal como a vida..
Me deixando consumi-la para no fim acabar comigo.
Quero mante-la acesa, quero mante-lo vivo
Quero segura-los no fundo do peito
Quero sopra-los no vento
Não quero parar
Mas não quero acelerar o fim.
Tal como a vida que nasce morrendo
Me enche de instante
Pra me levar daqui sem memória nenhuma."

sábado, 31 de março de 2012

...


Devagar caiu no mundo
pra vagar na superficie
de vagar vagou o mundo
isolou sua presença

na cadencia das fugas
desabitou espelhos
emudeceu os mais sábios conselhos
dos seus deuses sem poder

encorajou seus vícios
desmentiu verdades
cambaleou os muros, arrebentou as grades
sentiu um vazio...
a farsa da liberdade.

De vagar sem pé nem freio
nessa corja de sedentos
sentou-se a beira da morte
e lhe contou alguns segredos
e daquele encontro sutil
voltou se cheia em mãos
e no vermelho da vaidade
daquela boca sem encaixe
marcou o ultimo filtro
subiu com o ultimo trago

quinta-feira, 29 de março de 2012

Se arrasta pelos dentes essa falta de calor
Cante um samba la na esquina e eu repito: eu vou !
A paz das pernas bambas é o caos que causa o samba...
a vontade de sambar.

Se agarra entre os dedos a palavra dita
a melodia não me grita, não me chama pra dançar
Eu quis o bloco que passou
que na neblina não me viu
A fantasia se apagou
rasgou-se a chama do pavio...

Me diga só se falta amor,
por que agora só faz frio
me diga só se sou só eu
ou todo mundo ta hostil
me diga só que ja é tarde,
para o meu corpo se deitar
A avenida ta vazia
e eu sou a nudez do dia
que não para de sambar

Solidão não tem atrito
arranco a faísca no grito
pra esse corpo se esquentar.

sábado, 24 de março de 2012

...


Os acordes atacam a pele do corpo disposto no espaço,
agressivamente me encontra uma coisa,
um compasso nocivo que me leva ao chão
quente e sutil, e meu pés reagem.

A boca seca e acolhe um trago
os poros derretem mais um compasso
as minimas partes vibram e se distraem
numa dança profana e incalculada.

Ao fim sou parte do chão
ao fim da terra me faço tom.
ao fim e sozinho ele dança, sem minha minima intenção
ao mundo ele era um corpo que morria
minha sinfonia de qualquer canção.

quarta-feira, 14 de março de 2012

Inteira não!
mas concreta
metade é quase tudo
faltando o que sobra em mim.
Inteira não,
mas toda ali,
toda o quanto podia estar
tanto o quanto podia ser.
naquele papel , que não me espelha, nem me encoraja
naquele traço que não me rejeita e nem me pinta
inteira não, mas totalmente despida..
A poesia é uma menina
a me agarrar pelas pernas
Ela me torce e me expulsa
E me vejo sempre a ir com ela
Ela se deita e me recebe
e seu vapor sobe meus poros
ninguem nunca será como ela
ela me revela e me esconde, ela sabe..
ela sabe que eu não suporto,
ela me aceita.
A poesia é uma menina
que foge com meus doces só pra me ver chorar.

sábado, 25 de fevereiro de 2012

e ainda é.

Eu era como a mentira que não causa incomodo, por que a sua verdade não importa a ninguem.

balela

Não posso deixar de me encontrar com essas lacunas do dia, minhas criticas me rodeiam e terminam tomadas por mim, meus atos são erros de continuidade, tenho decidido e me feito questões que me travam por poucos e angustiantes segundos, logo me levanto e retorno a minha antiga face de dar e receber emoções. Ficar só é sintetizar e colar histórias, me pergunto e me repreendo de todas as contradições, que me trasbordam da fila do pão à nudez do fim do dia, minha mentira é tão minha que nem pode se fazer hipocrisia, não cantei ao vento minhas certezas pra não precisar fingir a linha, a coerência é meu ponto mais fraco e minha lacuna maior, Não me dou com os espaços e nem com as acusações, elas sempre viram auto acusações , sou tão todos que mal velos e mal ver a mim, e mal ver a mim é odia-los com força tamanha. Eu entendo aqueles que fogem, apesar de me julgar fraca a cada idéia de fuga, sou tão egoísta que não consigo me largar de qualquer questionamento, acabo na teia profunda das levantadas automáticas para afazeres cotidianos, desligo minha mente e vivo, caio no pulo de vida e morro, estou a morrer e viver pra poder saborear a vida, mas volto sempre a mesma, cheia de outras coisas, leio livros, lavo louças, quero entender e me afundo sendo, não me compreendo pois estou a me olhar de cima, acabo com todas as chances de respostas, as vezes axo que é o que me mantém viva.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Augusta.

Era assim, aquela coisa tornou-se meus dias da semana,
meu peito jamais sacudido, doía uma dor mundana, fraca e suja.
minha mão escorria pelo pandeiro,
eu era tom dos pés ao peito, minha cabeça se negava.
Eu,tão doce, agora levantava as primeiras pedras do meu demônio
do meu herói que me mataria, do meu vilão a me beijar.
Eu, tão suja, com as mãozinhas pedindo clemencia
imersa no sangue dos ventres da esquina.
botava meu bloco na rua, nua e sozinha
eu ria do leito que me esperava.
Era assim, meu quadril de mulata sucumbia a suspiros.
meu corpo era a fonte da praça, minha alma curvou-se a carne,
meu cálice de vaidade reinava,eu estava amando aquele demônio em mim.
minhas pernas gritavam num nó,um canto para se acordar só.
e o ritmo daquela coisa me tomava, e me domava, e domava o pior que havia em mim.
o gosto da vida escorria-me pela boca,
o pior que havia em mim era o mundo que amarrava meu demônio em roupas
e me fazia pouca, pra tamanha vontade.

eis em mim.

Um conjunto de deuses mudos me pegam pelo pé todas as noites,
eu os induzo e os recebo e eles se deitam comigo
meu corpo é um baú onde eles deixam seus sonhos,
eu durmo, e como eles me elejo, unica e só, dos poços profundos da minha malicia.
há noites que rodamos como crianças a saborear a paz,
há noites que minha dor os afasta cada vez mais...
eu me deito, eu me refaço...
eles sem corpo, sem fala, me matam de encantos,
nunca tão pura pude ver uma alma sem esses males do homem.
não é preciso um passo, um só corpo ou palavra
a pureza me toma e eu creio em mim,
um conjunto de deuses mudos, sem a carne que me toma
há noites que me escondo, de vergonha desse meu sangue quente.
há noite que me deixo cair nos braços desses deuses dentro de mim.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Aplausos.

Deus, quantos dentes tem essas bocas?
a lingua do doce, amargo e azedo se acaba em palavras
não querem meus beijos nem salivas trocadas
querem despejos de reações repetidas.
Aplausos, homem, aplausos!
Por que eu cansei de ser vomitada esta noite.
Manda-los todos calarem a boca em um lugar escuro não adianta,ninguem se ve e não ve ninguem..
ninguem quer saber da história do homem que andou em cima do sol
eles querem mostrar suas solas de sapatos,
gastas de suas esteiras automáticas
vendidas como chão de calçada,
como vida vivida,
como eles querem ser comprados, jogados aos lances mais caros.
eles falam e sou eu, e me incito a fazer o mesmo.
- aqui! - AQUI!,
Olhamos e seguimos sendo vistos,e tudo esta se acabando por isto,
O silencio é jogada do cara superior,
O da direita ri de suas proprias e repetidas histórias
A menina pendura o cigarro entre os dedos
e todos se aplaudem, por que aplaudem a si mesmos.

sábado, 28 de janeiro de 2012

em gula

falam falam e falam, arrumam a mesa e querem que voce coma, da comida deles, do jeito deles, voce é só mais um a engolir, vc se enjoa, mas naum tem opção, discursos bonitos, ali jogados numa mesa que a qualquer hora cai, ninguem faz nada as escuras, mas o holofote incita todas as iniciativas. Se voce não concorda está errado, só pensa em voce, se concorda, voce come e come, da comida deles, que eles prepararam, vnem te perguntaram - Quer mais sal?
voce só engole , a seco.
bandeiras ao céu pros olhos...
é pura democracia, mas minha opinião ta certa..
se quer ser DEMOCRATICO CONCORDE COMIGO..
é essa a porra da bandeira q eu vejo em pé.

por enquanto...

Você é o que eu vou amar
Quando me tornar o que eu sou.